História da Neuropsicopedagogia no Brasil

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No ano de 2008, na cidade de Joinville, no estado de Santa Catarina, um grupo de docentes em uma instituição de ensino e pesquisa, sediada nesta mesma cidade, que promovia assessoria em cursos de pós-graduação, se motivara através de um pedido ousado e empreendedor vindo do diretor da instituição, a criar um grupo que promoveria observações e pesquisas, com base em um aguçado senso crítico e movido aos anseios de responsabilidades com o contexto escolar que vivenciavam na época.

 

Foi então que se criou a produção de novos conhecimentos para que fossem aproveitados em uma perspectiva educacional, indo além de estudos já existentes que evidenciavam apenas o comportamento e as emoções. Era preciso incluir discussões que envolvessem as Neurociências aplicadas à Educação, nas especificidades das aprendizagens escolares. Todos do grupo tinham muito diálogo e foram subsidiados pela confiança que a instituição inspirava, provocando e desafiando-os na construção destas novas frentes. A partir disso, uniram-se para pensar esses olhares e avaliar tudo o que estava disponível no âmbito da educação especial, das dificuldades de aprendizagem, da inclusão escolar e do atendimento multidisciplinar, a partir das concepções transdisciplinares que o grupo tinha.

 

A maior preocupação era embasar suas análises em uma fundamentação que gerasse credibilidade e que os envolvesse nos entendimentos das questões cognitivas, ainda nebulosas e limitadas ao campo dos educadores e muito disponível para a área da saúde, como a psiquiatria e pediatria. Até então, os direcionamentos da escola eram trabalhados muito em cima das questões baseadas em orientações, emoções e contextos familiares, dando apenas a responsabilidade para a compreensão da Psicopedagogia e da Psicologia escolar, o que, muitas vezes, limitava as orientações educacionais e os atendimentos especializados.

 

A partir disso nasce, então, o primeiro projeto que envolvia as Neurociências aplicadas à educação, nomeado de Neuropsicopedagogia, unindo Neurociências, Psicologia e Pedagogia.

 

Era apenas um começo, mas com grandes intenções, prevendo que teriam uma nova configuração, para um novo formato de profissionais educadores, a partir disso mais qualificados para lidar com as diversas especificidades que a escola apresentava e continua apresentando, bem como em atendimentos multidisciplinares

 

A grande preocupação foi reunir um grupo de profissionais heterogêneo em suas formações e com diversos vieses da educação e da saúde no ambiente escolar, tais como da educação especial, da intervenção nas deficiências, das altas habilidades, com um domínio e vivências profissionais em inclusão escolar e, inicialmente da própria psicopedagogia, pois havia um grupo de psicopedagogos que também queria ir além dos conhecimentos já conquistados até aquele momento. Para isso, foi fundamental a união de um quadro multiprofissional que entre eles englobasse Educadores Pedagogos, Educadores Psicopedagogos, Psicólogos, Neuropsicólogos, Médicos Pediatras, Médicos Psiquiatras infanto-juvenis, Fonoaudiólogos, Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas e Neurocientistas.

 

Como previsto pela instituição idealizadora, o lançamento do primeiro curso de especialização em Neuropsicopedagogia, foi em 06 de dezembro de 2008 na cidade de Jaraguá do Sul, no estado de Santa Catarina, e este teve uma resistência por parte das camadas conservadoras, que apenas se contentavam com os limites de conhecimentos e de intervenção escolar e de avaliação, haviam outros que encaravam até mesmo como uma ameaça por um tipo de reserva de mercado diante da ascensão que Neuropsicopedagogia poderia ter. No ano seguinte de criação, obtivemos o registro destes primeiros formados com a titulação de Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva pelo Grupo Educacional CENSUPEG, instituição conforme dados, a pioneira neste curso.

 

Após a repercussão muito breve foi-se ganhando a credibilidade nas ações, colecionando casos de sucesso de professores e alunos, de entidades de classes que hoje já conseguem olhar a Neuropsicopedagogia como uma área de grande suporte das questões da aprendizagem escolar, também como uma possibilidade de reintegração dos indivíduos que dela dependem.

 

Era uma dúvida, o nascimento de uma ciência nova, tanto que dois anos depois surgiu a Neuropsicopedagogia Clínica para atendimentos individualizados e/ou também multidisciplinares.

 

Atualmente a atuação da SBNPp (Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia) intensifica seu trabalho na promoção de ações que legitimem e tragam os devidos reconhecimentos para os Neuropsicopedagogos, instigando cada vez mais as publicações científicas, o aprimoramento dos testes e tudo o que possa ser relevante à esta nova ciência, em busca de legitimá-la em breve como uma profissão. A partir de um anseio coletivo estamos cada vez mais envolvidos em continuar escrevendo esta história.

 

Texto baseado em entrevista com o Grupo CENSUPEG e arquivos expostos de docentes fundadores dos primeiros projetos da área.

 

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